O Novo Dicionário Aurélio define o marketing como o “conjunto de estudos e medidas que provêem estrategicamente o lançamento e a sustentação de um produto ou serviço no mercado consumidor, garantindo o bom êxito comercial da iniciativa” (1). Já o Dicionário Michaelis trata o termo como um substantivo masculino vinculado à propaganda e apresenta três definições. Conforme as duas primeiras, marketing seria o mesmo que “comercialização” ou a “execução de todos os atos de comércio que sirvam para dirigir o escoamento de mercadorias e serviços do produtor ao consumidor”. A terceira definição aproxima-se mais do Aurélio e define o marketing como o “conjunto de operações que envolvem a vida do produto, desde a planificação de sua produção até o momento em que é adquirido pelo consumidor” (2).
Tanto o Aurélio quanto o Michaelis concordam com a definição antiga da Associação Americana de Marketing para o termo. A AMA (American Marketing Association), em 1960, fixou o marketing como a “execução das atividades que conduzem o fluxo de mercadorias e serviços do produtor aos consumidores finais”.
Com as mudanças do capitalismo no final do século XX que levaram à substituição do fordismo - onde a preocupação girava em torno do produto - por novas técnicas de produção que colocam o cliente na condição de centro do processo produtivo, a AMA reformulou o conteúdo do conceito. A nova definição, publicada em 1995 no Dictionary of Marketing Terms, diz que marketing “é o processo de planejar e executar a concepção, estabelecimento de preços, promoção e distribuição de idéias, produtos e serviços a fim de criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais” (3).
Ou seja, de uma noção de estudos, medidas etc, destinadas a levar o produto do produtor ao consumidor, o conceito evoluiu para a idéia de “criar trocas” e atender necessidades e desejos de indivíduos e organizações. Esta definição, por sinal, se mostra mais de acordo com a de Philip Kotler, um dos principais teóricos do assunto. Para Kotler, “marketing é a atividade humana dirigida para a satisfação das necessidades e desejos, através dos processos de troca” (4).
Marketing político e eleitoral
As técnicas e métodos de marketing começaram a ser utilizadas em campanhas eleitorais, em primeiro lugar, nos Estados Unidos. Em 1952, a campanha do General Eisenhower, foi feita utlizando as mesmas técnicas de venda dos produtos. Foi quando o marketing intalou-se como principal ferramenta de campanha eleitoral. Desde lá, até hoje, há uma generalização do uso e a sofisticação crescente da atividade.
Na recente democracia brasileira, o marketing vem se afirmando em substituição a todos os demais métodos político-eleitorais. Se antes o que decidia uma eleição era a opinião do chefe político do lugar, uma rede bem estruturada de cabos eleitorais ou um partido bem organizado, agora o que pesa é a imagem construída na campanha. Se antes o centro de uma disputa eleitoral era constituído pelas propostas políticas, agora o núcleo, o carro chefe, o cérebro de uma campanha passou a ser o setor de marketing.
Sabonetes Lux
Para a ampla maioria dos marketeiros atuantes no mercado eleitoral brasileiro, a essência do marketing político é a venda do candidato/produto ao consumidor/eleitor. Ou o conjunto de estudos e medidas que provêem estrategicamente o lançamento e a sustentação de um candidato no mercado eleitoral, visando a vitória nas eleições. Atuando numa área que requer um certo número de conhecimentos técnicos e alguma arte, estes vendedores de sabonete, como os técnicos de futebol, são forjados pela vida.
Mais recentemente, diante da própria adequação do marketing ao atual estágio do capitalismo, vem crescendo a corrente que trata o candidato como se fosse uma marca e não simplesmente um produto. Para os defensores desta linha, não se trata de realizar uma venda numa eleição mas de construir e defender uma marca na mente do eleitor, de criar trocas satisfatórias tanto para os candidatos e suas organizações quanto para os indivíduos.
O senso comum confunde o marketing político com a propaganda eleitoral. Para o eleitor, marketing é tudo o que aparece na mídia que esteja associado à eleição. A professora Vera Chaia, apesar de duvidar que o marketing venha a substituir a política, afirma que “para os profissionais do marketing, o candidato a um cargo político deve respeitar todas as etapas que envolvem a venda de um produto: desde a criação de uma plataforma política até a “embalagem”, ou melhor, a conduta política, a forma de se vestir, de se expressar” (5).
Na verdade, tanto a propaganda eleitoral quanto as demais manifestações políticas através da mídia fazem parte do marketing político, mas não são o marketing político. E ainda que mesmo os profissionais da área insistam em vender a idéia de que a sua atividade não passa de uma operação de venda, ela é, de fato, uma atividade bem mais complexa e abrangente.
O que é marketing político?
A compreensão de como opera o marketing - mesmo que de maneira superficial e esquemática - é útil para o entendimento do que é o marketing político.
Entre as atividades fundamentais do marketing tradicional de produtos estão a pesquisa de mercado, o planejamento do produto, a determinação de preços, a propaganda, a promoção de vendas e a distribuição. São estas as ferramentas que estruturam o marketing de um produto, seja este produto algo físico ou intangível, não importa. A competência e, num certo sentido, a arte no uso e combinação destas ferramentas determina o valor do artífice do marketing. No mercado empresarial, especialistas em marketing particularmente virtuosos têm seus passes disputados pelas empresas. No mercado eleitoral, isso também já vem ocorrendo.
Ainda que só adquiram sentido interligadas, cada uma das ferramentas do marketing cumpre um papel bem definido. Assim, a pesquisa de mercado, visa conhecer as tendências do consumidor em tudo o que possa interferir direta ou indiretamente na sua relação com o produto. Da mesma forma, a pesquisa eleitoral busca conhecer as tendências do eleitor em tudo o que possa interferir no seu voto. Há já todo um acúmulo dos institutos de pesquisa, estudos de caráter acadêmico e experiências que permitem afirmar, senão a impossibilidade, pelo menos a enorme dificuldade de qualquer candidato eleger-se a cargos majoritários em cidades grandes (mais de 200 mil eleitores) sem o concurso de pesquisas eleitorais científicas. As pesquisas são uma ferramenta essencial para o conhecimento da realidade e elaboração de qualquer planejamento de campanha.
O planejamento do produto visa adequar a mercadoria às necessidades e desejos do consumidor. O planejamento numa campanha eleitoral pretende o mesmo em relação ao candidato. Aferidas as tendências do eleitor, busca-se amoldar o candidato aos seus desejos. Foi assim, por exemplo, com Fernando Collor, que realizou sua campanha em 1989 como o “caçador de marajás” a partir da detecção de uma tendência do eleitor a fazer a crítica da ineficiência dos serviços públicos. O mesmo com Fernando Henrique, a partir do entendimento de que havia um desejo de estabilidade que foi traduzido na bandeira do fim da inflação e criação do Real.
A determinação de preços consiste nos estudos que buscam estabelecer o preço de venda do produto ao consumidor final. O mesmo ocorre no marketing político quando se busca a adequação das propostas e seus custos sociais, considerando as propostas e custos apresentados pelos adversários. O princípio seria o de que, quando vota, o eleitor faria um cálculo similar ao que desenvolve para executar a compra de um produto. Quando compra um produto, o consumidor avalia o preço que está pagando em relação ao retorno que aquele produto pode lhe dar. Esse retorno pode ter muitas variáveis: o produto pode ser útil para atender necessidades objetivas, mas o seu valor pode ser também subjetivo. Um sabão pode limpar tanto quanto um sabonete e ser inclusive mais barato, mas o consumidor pode se dispor a pagar bem mais por um sabonete Lux, de odor agradável e sobretudo consumido “por nove entre dez estrelas”. O mesmo ocorreria na política, exigindo o estudo de cada situação para estabelecer os lemas, as bandeiras, as proposições, enfim, os custos e benefícios da eleição do candidato.
Por último, a propaganda, a promoção de vendas e a distribuição têm por objetivo tornar o produto conhecido, estimular a demanda e levar fisicamente o produto ao consumidor final. A propaganda, numa campanha política, consiste na propaganda eleitoral, realizada nos horários de rádio e tv préestabelecidos, através dos outdoors, dos folders, malas diretas, cartazes etc. É a parte mais visível de uma campanha e muitas vezes é confundida com sendo todo o marketing político. A promoção de vendas, no caso dos produtos, tem como exemplos mais corriqueiros os estandes de promoção de determinados artigos postos à disposição do consumidor para prova nos supermercados etc. No marketing político, a promoção de vendas se traduz em atividades da campanha como comícios, carreatas, reuniões, jantares etc. Por fim, a distribuição, que no caso do produto envolve toda a logística de sua colocação à disposição do consumidor nos pontos de venda adequados, no caso do marketing político consiste no conjunto de atividades e ações necessárias para fazer chegar o candidato até o eleitor. Inclui-se aí o corpo a corpo, os roteiros de visitas, as atividades desenvolvidas pelos apoiadores, pelos cabos eleitorais etc, inclusive a boca de urna.
O marketing político, neste contexto, seria um conjunto de atividades (que tem entre as citadas anteriormente suas principais ferramentas) destinado a buscar a vitória nas eleições. Quem, a esta altura, estiver pensando como foram construídas todas as principais candidaturas dos últimos presidentes e governadores eleitos, não estará elocubrando em vão. Umas mais, outras menos, praticamente todas as campanhas políticas dos últimos processos eleitorais tiveram no marketing político uma ferramenta central, responsável pelos mais importantes aspectos das campanhas, sobredeterminante em relação, inclusive, aos núcleos de assessoria política.
Império da imagem
A elaboração de um juízo de valor sobre este processo, se é bom ou mau, interessa pouco. O que é preciso ressaltar é que é um processo incontornável, próprio das sociedades de massa onde há preponderância da comunicação, em particular dos meios eletrônicos, sobre as relações interpessoais diretas e associativas. O símbolo desse império da mídia sobre a vida talvez tenha sua síntese no exemplo da família cujos membros praticamente não falam entre si, mas assistem aos mesmos programas de TV e mantém sua unidade através disso. A importância do marketing político nos processos eleitorais resulta dessa realidade em que as pessoas passam mais tempo ouvindo o que é dito no rádio ou na TV do que a si próprias e suas relações de convivência.
Frente a essa realidade e ao crescimento do marketing, amplos setores da esquerda no Brasil desenvolveram uma relação de amor e ódio com o marketing político, relação essa que precisa ser superada e construídos novos paradigmas sobre os quais possa prosseguir a disputa de hegemonia e maioria eleitoral na sociedade brasileira.
O marketing que aí está não é uma ferramenta neutra que possa ser usada indistintamente para o bem ou para o mal. O uso dos métodos desenvolvidos para a venda de produtos ou marcas pode dar certo para candidaturas adequadas e consoantes com a ordem estabelecida. São elas que se beneficiam do marketing político e tratam de estabelecê-lo como condição indispensável ao desenvolvimento de uma campanha. Mas a adoção das ferramentas do marketing político tradicional pela esquerda constitui um erro grave. Eventualmente, como um “atalho” pode até auxiliar uma candidatura situada à esquerda a obter votos. Mas no médio prazo o marketing político tradicional leva à esterilidade política e ao aprisionamento nos estreitos limites da mídia e do senso comum.
O marketing - diferente da propaganda, que é bem anterior a ele - é uma técnica inerente ao capitalismo, surgiu com ele e busca seu aperfeiçoamento. O marketing tradicional supõe a garantia prévia do modo de produção capitalista, da sociedade de consumo de massas e de uma hegemonia cultural favorável ao mercado livre. Ele opera tendo em vista sempre o senso comum de um determinado público alvo, a média das opiniões existentes em seu interior. As pesquisas são feitas para saber o que o consumidor quer comprar e deseja ouvir. Suas campanhas, como condição para obterem sucesso, atuam como um reforço das noções comuns à maioria dos consumidores e operam a partir de uma lógica autoritária, centralizada, impositiva.
Marketing inútil
O uso das técnicas tradicionais do marketing por uma proposta que pretenda alterar a ordem estabelecida acaba por ser um contra-senso. O objetivo dos opositores ao atual estado de coisas é justamente alterar o que está estabelecido, confrontar com o senso comum e construir novas idéias e novos conceitos na sociedade. A construção de uma nova hegemonia política exige o deslocamento de setores dominantes, e isso não tem como ser feito usando as mesmas ferramentas e métodos dos adversários. Com posições antagônicas ou, pelo menos, divergentes dos detentores da hegemonia econômica, política e cultural na sociedade, os que lutam por uma nova sociedade precisam operar, também no terreno da comunicação - e não apenas no da política - com conceitos e paradigmas próprios, alternativos à ordem estabelecida. Neste sentido, o marketing político tradicional, quando usado por setores situados à esquerda, não constitui apenas um erro ou uma revelação de menosprezo com o tema da comunicação. Ele é a ante-sala da adequação à ordem vigente.
É conhecida de todos a trajetória recente do Partido Trabalhista inglês, que rendeu-se ao neoliberalismo e ao tathcherismo. Pois já lá atrás, em 1996, Vera Chaia, citando Jeoff Mungham, consultor do Labour Party, detectava a rendição dos trabalhistas ingleses aos ditames da mídia e do marketing: “Há vários modos pelos quais o Partido vem assumindo esta tarefa: vestindo e treinando seus candidatos para enfrentar com eficiência as entrevistas de rádio e televisão; prestando bastante atenção na realização das transmissões políticas e nas transmissões eleitorais; fazendo a direção de cena de seus congressos, comícios e entrevistas coletivas para maximizar a cobertura de televisão positiva” etc (6).
Pode-se sempre, a respeito, desenvolver a discussão sobre o que veio primeiro, se a capitulação política ao neoliberalismo ou às regras do marketing. Mas o fato é que, invariavelmente, a sedução dos partidos pelos ditames do marketing nas últimas décadas sempre veio associada a um processo de enquadramento ao senso comum construído socialmente e a uma capitulação política.
No caso de opções de esquerda, socialistas, passarem a adotar o marketing de maneira acrítica, as contradições são potencialmente maiores. Mais que conduzir as campanhas, o marketing tende a se comportar como um vírus de computador que vai destruindo o disco rígido. Ao adotar o senso comum como parâmetro da propaganda eleitoral, ao substituir e se contrapor à militância e à organização partidária, ao centrar sua ação unicamente em torno ao candidato/indivíduo, o marketing tradicional esteriliza o projeto político, dissolve o programa partidário e acaba por eliminar a idéia de partido na sociedade.
Esta abordagem é útil no caso dos partidos conservadores que pretendem justamente a manutenção da ordem estabelecida e do senso comum. Mas para todos aqueles que pretendam uma mudança, a abordagem não pode ser esta.
Um outro marketing é possível?
O atalho e a “eficácia” do marketing tradicional para atingir objetivos transformadores é uma contradição em termos. O marketing tradicional, utilizado indistintamente pelos partidos de direita e de centro no país, e em período recente também por partidos de esquerda, é um instrumento essencialmente autoritário. A base de construção das candidaturas, do programa eleitoral (que invariavelmente é diverso do que é praticado no governo) e do discurso dos candidatos, é o senso comum e não um programa político-ideológico. O candidato é trabalhado como um produto a ser vendido no mercado eleitoral, e não como um agente de mudanças, representante de um movimento na sociedade. O motor das suas campanhas é o dinheiro dos que o financiam, e não um conjunto de idéias e paixões disseminadas no tecido social.
A constatação de que o marketing tradicional não só é inútil, mas também prejudicial às propostas de transformação da sociedade, contudo, deve nos levar a sua recusa pura e simples? Seria o caso de considerar o marketing como algo intrinsecamente conservador e combater sua utilização sob qualquer forma condenando-o juntamente com o modo de produção que o engendrou? Como fazer comunicação através de meios de massa que operam com os métodos e a linguagem dominantes sem usar os mesmos métodos e as mesmas técnicas? É possível conceber um marketing de esquerda?
A recusa pura e simples do marketing leva à dificuldade em trabalhar com os meios de comunicação e ambas à incapacidade de relacionar-se com as massas, ao isolamento político e à pequenez. Nenhuma organização política, nenhum movimento de esquerda cresceu até hoje sem apoiar-se em técnicas de comunicação de massas e/ou ferramentas utilizadas no marketing. Da guerrilha na década de 60 ao PT dos anos 90, do nacionalismo do “petróleo é nosso” na década de 50 ao MST do final do século.
A condenação do marketing precisa ser substituída pela crítica e pelo esforço de sistematização das alternativas muitas vezes embrionárias que têm sido gestadas. Num mundo dominado pelos mass media, a resistência ao marketing não pode ser substituída pela adesão a ele mas deve levar à construção de uma alternativa. No início do século, a esquerda soube trabalhar com a novidade da imprensa, colocando-a a serviço da revolução. À época, o jornal era o meio mais moderno de comunicação disponível. Na Rússia, os bolcheviques utilizaram o jornal Iskra não só como um informativo, mas também como ferramenta de centralização política e organização coletiva do proletariado. Alguns anos depois, à direita, o Partido Nazista utilizaria os meios eletrônicos (rádio, alto-falantes etc) com propósitos antagônicos. Comum a ambos movimentos pode-se registrar o propósito de produzir um rompimento com o senso comum e construir uma nova hegemonia.
A construção de uma nova alternativa de esquerda no país (e no mundo), à luz da história, não pode vir desacompanhada de uma nova política de comunicação. E esta política de comunicação pode ter muitos nomes e de qualquer maneira terá de desenvolver um marketing político de esquerda. Esta é uma tarefa incontornável.
Por onde começar
Dada a ausência de acúmulo teórico e prático, é pouco o que pode ser dito, mas em algumas noções é possível avançar. Para começar, o marketing político de esquerda deve seguir na contracorrente do marketing político tradicional. Ao invés de presidir a política - entendida como o conjunto de propostas e movimentos desenvolvidos numa campanha eleitoral ou mesmo num governo - tem de ser presidido por ela. Ao invés de embalar os candidatos como um produto palatável à maioria do eleitorado, se trata de trabalhar para que os desejos do eleitorado concordantes com a política se transformem em movimento consciente, em ação transformadora da sua própria realidade.
Assim, a construção de um marketing alternativo ao tradicional precisa partir do entendimento de que o telespectador, o rádio-ouvinte, o leitor moderno não deve ser tratado como objeto da mensagem, mas como um sujeito político capaz de ações concretas de comunicação. As pesquisas não devem ser feitas para saber a média da opinião e passar a dizer o que o público quer ouvir, mas para entender o que a maioria pensa, como pensa e melhorar a forma de dizer o que precisa ser dito desde o ponto de vista político. O produto a ser moldado não é o candidato, mas o conjunto das transformações, o mundo novo a ser construído. A propaganda, a distribuição, a promoção a serem feitas não são tarefas a serem pagas a peso de ouro, mas atividades essencialmente políticas desenvolvidas pelo trabalho consciente.
Na verdade, trata-se de dar ao eleitor a possibilidade de tornar-se sujeito do processo, se possível, militante de um conjunto de idéias que envolvam participação, solidariedade, construção da cidadania e de espaços de liberdade crescentes. Este marketing deve, sem dúvida, utilizar-se das ferramentas e técnicas mais avançadas já desenvolvidas pelo sistema exatamente para tornar-se capaz de subverter este mesmo sistema. Este marketing alternativo, rebelde, participativo deve construir-se sobre os escombros do marketing tradicional; escombros já visíveis no seu próprio berço, os Estados Unidos da América, onde as campanhas mais caras e sofisticadas do planeta são incapazes de levar pelo menos metade do eleitorado às urnas. Construir este marketing revolucionário - e esta palavra aqui, em conclusão, é proposital e não gratuita - é uma tarefa do nosso tempo. É fazer revolução.
__________________
(1) Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da Lingua Portuguesa. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1986.
(2) Michaelis, Henriette. Michaelis Moderno Dicionário da Lingua Portuguesa. São Paulo, Companhia Melhoramentos, 2004.
(3) American Marketing Association. Dictionary of Marketing Terms. ( http://www.marketingpower.com/mg-dictionary.php ).
(4) Kotler, Philip e Armstrong, Gary. Principles of Marketing. Upper Saddle River, NJ, Prentice Hall, 2001.
(5) Vera Chaia in Desafios da Comunicação. Ladislaw Dowbor et al. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 2000.
(6) Vera Chaia in Desafios da Comunicação. Ladislaw Dowbor et al. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 2000.
O Artista
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